A pesca da tainha da temporada de 2026, na modalidade de arrasto de praia, foi proibida no Brasil após o limite coletivo autorizado chegar a 90%, o que corresponde a 1.198,8 tonelada. A decisão foi divulgada pelo Ministério da Pesca e Aquicultura no domingo (7) e motivou reação em Santa Catarina.
Iniciada em maio, a modalidade de pesca ocorre tradicionalmente até o fim de julho no país inteiro. No estado, os primeiros dias da temporada foram de grandes lanços de tainha, excesso de peixes e dificuldade de venda por conta da oferta.
Em nota, o governo federal afirmou que a decisão foi adotada com base nos dados de produção, monitoramento e controle. A cota serve para limitar a quantidade de peixes que podem ser pescados com o objetivo de evitar a pesca predatória da espécie, e garantir que a espécie não entre em extinção, permitindo assim que o animal se reproduza. Procurado, o superintendente federal de Pesca e Aquicultura no estado, Jean Ricardo, destacou que a suspensão se refere apenas à modalidade de arrasto, sendo as outras atividades autorizadas a continuarem.
Segundo a Federação dos Pescadores do Estado de Santa Catarina, a safra de 2026 é considerada a melhor dos últimos 30 anos no litoral catarinense, com mega lanços e o peixe em abundância na costa. Em poucas semanas, redes chegaram a puxar mais de 30 mil tainhas de uma só vez na Grande Florianópolis. Foi essa fartura que fez a cota estourar em menos de 40 dias, com cardume ainda batendo nas praias.
O governo de Santa Catarina se manifestou contrário à decisão e disse que deverá adotar medidas judiciais cabíveis. Para o estado, a proibição atinge, na prática, apenas Santa Catarina, que é o único que possui a atividade devidamente regulamentada e fiscalizada.
“O Governo do estado considera que o sistema de cotas aplicado ao arrasto de praia não reflete a realidade da atividade pesqueira catarinense e prejudica centenas de famílias que dependem da pesca artesanal para sua subsistência e para a preservação de uma tradição cultural centenária”, disse em nota.
A prefeitura de Florianópolis também se manifestou sobre a decisão e citou “preocupação e repúdio ao encerramento da captura”. O município defendeu que a pesca é uma “tradição centenária, parte da identidade cultural da cidade”.
Fonte: ND+

