O esquema de desvio de doações de hospitais em Santa Catarina, desmantelado no início de setembro, teve novos desdobramentos nesta quarta-feira (17). De acordo com a Polícia Civil, o prejuízo já ultrapassa R\$ 10 milhões e cerca de 14,6 mil clientes da Celesc foram afetados. Três pessoas foram presas, mas as investigações continuam para identificar todos os envolvidos.
Segundo as autoridades, o grupo criminoso atuava a partir de Joinville, no Norte do Estado, e gerenciava doações feitas por meio da fatura de energia elétrica. Os valores, que deveriam ser destinados a instituições de saúde, eram em grande parte desviados. Pelo menos 15 entidades catarinenses firmaram convênios de arrecadação, mas menos da metade do montante arrecadado chegou efetivamente aos hospitais e clínicas.
Prejuízo e investigação em andamento
Em dois anos e meio, o desvio de recursos já soma cerca de R\$ 10 milhões. As apurações mostraram que a fraude não se restringia a Joinville, atingindo também municípios como Blumenau e Brusque.
Agora, a Polícia Civil trabalha para identificar quais consumidores não autorizaram as cobranças e rastrear o destino do dinheiro desviado. As diligências incluem a perícia de bens apreendidos, cruzamento de informações e novas ações de campo. Há indícios de que outras pessoas além das já presas possam ter participação no esquema.
Orientações aos consumidores
A Celesc informou que atua apenas como meio de arrecadação, repassando integralmente os valores autorizados pelos clientes às instituições conveniadas, sem participar da gestão ou da destinação dos recursos. A companhia afirmou ainda que também se considera vítima, pois seu serviço foi utilizado de forma indevida.
A orientação é que consumidores que queiram cancelar cobranças ou solicitar ressarcimento entrem em contato diretamente com a empresa responsável pelo convênio, utilizando o telefone indicado na própria fatura, ou procurem a Celesc pelo número 0800 048 0120 ou em uma de suas lojas físicas.
Instituições afetadas
Hospitais de diferentes cidades do Estado foram prejudicados, entre eles unidades em Blumenau, Brusque e Joinville. Em Florianópolis, a própria Celesc também foi lesada, já que a arrecadação era feita sem o conhecimento da companhia.
A denúncia que deu início às investigações partiu de uma instituição de saúde que identificou inconsistências nas doações recebidas. Após analisar os dados, a entidade percebeu que havia clientes sendo cobrados sem que o nome do hospital constasse na fatura. O material foi encaminhado à Polícia Civil cerca de cinco meses antes da deflagração da operação.
Repercussão
As instituições de saúde envolvidas reforçaram que também foram vítimas da fraude e lamentaram o desvio de recursos que deveriam ser destinados ao cuidado da população. Ressaltaram ainda que as doações seguem sendo feitas de forma segura e fiscalizada.
A Polícia Civil segue com as investigações e não descarta novos desdobramentos nos próximos dias.
Informações nd+

