Um levantamento da Nexus-Pesquisa e Inteligência de Dados, baseado em informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), aponta uma transformação significativa no perfil do eleitor brasileiro. Nos últimos 16 anos, o número de eleitores com 60 anos ou mais cresceu em ritmo muito superior ao do restante da população apta a votar.
Entre 2010 e 2026, o eleitorado geral registrou aumento de 15%, enquanto a chamada Geração Prateada avançou 74% no mesmo período. Em números absolutos, esse grupo saltou de 20,8 milhões para 36,2 milhões de eleitores, consolidando uma presença cada vez mais expressiva nas eleições.
Até o momento da coleta dos dados, o Brasil contabilizava 156,2 milhões de eleitores aptos a votar, contra 135,8 milhões em 2010. A expectativa é que esse número ainda cresça até o prazo final de cadastro eleitoral, em maio.
Diante desse cenário, especialistas avaliam que o eleitorado acima de 60 anos tende a exercer papel estratégico, especialmente em disputas polarizadas. Em eleições decididas por margens apertadas, como ocorreu em 2022, esse grupo pode influenciar diretamente o resultado final.
Atualmente, os eleitores com 60 anos ou mais representam cerca de um em cada quatro votantes no país. Esse crescimento acompanha uma mudança demográfica mais ampla: nas últimas três décadas, a população idosa no Brasil passou de 7% para 16% do total.
Outro dado relevante é a participação nas eleições. A taxa de abstenção entre eleitores acima de 60 anos vem caindo gradualmente, ao contrário do que ocorre com o eleitorado geral, cuja ausência nas urnas tem aumentado nos últimos pleitos. Mesmo entre os maiores de 70 anos, para quem o voto não é obrigatório, observa-se maior engajamento ao longo do tempo.
Além disso, o número de candidatos nessa faixa etária também tem crescido. Nas eleições mais recentes, pessoas com mais de 60 anos representaram uma parcela significativa das candidaturas, atingindo níveis recordes tanto em disputas gerais quanto municipais.
O avanço da longevidade e o envelhecimento populacional indicam que essa tendência deve continuar nos próximos anos, ampliando ainda mais o peso político da população idosa no Brasil.

