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Preço do arroz não para de cair nos supermercados em SC

Preço do arroz está em queda livre nas gôndolas de supermercados – Foto: Divulgação/Asserj

Preço do arroz está em queda livre nas gôndolas de supermercados – Foto: Divulgação/Asserj

O preço do arroz segue em forte queda nas prateleiras dos supermercados catarinenses. Nesta semana, o valor ficou ainda mais baixo e deve sofrer nova redução nos próximos dias. A situação é reflexo da crise enfrentada pelo setor, que registrou superprodução na safra 2024/2025 e não conseguiu escoar o produto armazenado.

A previsão é que, já neste fim de semana, o consumidor encontre o quilo do arroz por menos de R$ 2. A notícia é positiva para quem compra, mas preocupa a indústria e os produtores. As informações são do ND Mais.

Queda expressiva em relação a 2024

De acordo com Jadson Orige de Souza, gestor de negócios da Rede de Supermercados Moniari, o preço caiu quase pela metade em relação ao ano passado.

“Em 2024, o pacote de 5 kg custava em torno de R$ 24. Hoje, encontramos no mercado ofertas entre R$ 10 e R$ 12. A expectativa é que, a partir do fim de semana, o preço fique entre R$ 1,99 e R$ 2,30 o quilo”, afirmou.

Apesar da redução, o consumo permanece estável. Segundo Souza, o hábito de compra não mudou: “A dona de casa está acostumada a levar 1 ou 2 quilos e não vai aumentar a compra porque teve supersafra. A procura é a mesma, só que a oferta é muito grande. Para esvaziar os silos, o produtor acaba reduzindo o preço”.

Incentivo fiscal e impacto no setor

A queda também é influenciada pela medida do Governo de Santa Catarina que zerou o ICMS sobre seis itens da cesta básica, entre eles o arroz. A medida entrou em vigor em 1º de setembro.

Santa Catarina é o segundo maior produtor do país, atrás apenas do Rio Grande do Sul. São cerca de 147 mil hectares de cultivo, responsáveis por mais de 10% do abastecimento nacional. O setor movimenta aproximadamente R$ 1 bilhão por ano e gera 150 mil empregos diretos e indiretos.

O excesso de estoque chega a 2 milhões de toneladas, segundo o presidente do SindArroz, Walmir Rampinelli, que avalia o cenário com preocupação. “Algumas federações estão sugerindo reduzir o plantio na próxima safra. Eu não sou favorável, porque precisamos produzir mais para alimentar mais. Mas o momento é crítico”, destacou.

Contas no vermelho

Em setembro, a saca de 50 kg foi cotada a R$ 65, valor abaixo do custo de produção. Em alguns casos, caiu para R$ 58. Indústrias que compraram arroz na época da alta, pagando até R$ 100 por saca, agora amargam grandes prejuízos.

“Algumas estão com muito estoque e não conseguem repassar. Imagine quem comprou a R$ 100 e agora vende a R$ 60. O prejuízo é enorme”, lamentou Rampinelli.

Soluções em debate

Para equilibrar o mercado, o SindArroz defende três medidas principais:

  • Formação de estoque regulador;
  • Estímulo ao consumo interno;
  • Expansão das exportações do arroz beneficiado.

formação de estoque regulador é considerada a alternativa mais rápida, a exemplo das ações do Governo Federal durante a pandemia e nas enchentes do Rio Grande do Sul em 2024. Em agosto, a Conab realizou leilões de Contrato de Opção de Venda, negociando 109,2 mil toneladas — número ainda insuficiente, segundo o setor.

Outra frente é o estímulo às exportações. Dados da Abiarroz mostram que, em janeiro de 2025, o Brasil exportou 112,3 mil toneladas de arroz beneficiado, o equivalente a US$ 35,8 milhões. Os principais destinos foram países da África, além de Estados Unidos, Cuba, Uruguai e Chile.

Para o SindArroz, aumentar a presença no mercado externo é a estratégia mais eficiente para enxugar o estoque e restabelecer o equilíbrio dos preços.