A Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) divulgou uma nova diretriz que orienta sobre o uso de medicamentos no tratamento da obesidade. O documento reforça que o tratamento farmacológico não deve ser utilizado de forma isolada, devendo estar sempre associado a mudanças no estilo de vida, como orientação nutricional e prática regular de atividade física.
A recomendação faz parte de um documento técnico que reúne 32 orientações voltadas ao cuidado com pessoas que enfrentam a obesidade. Segundo a entidade, o objetivo é oferecer aos profissionais de saúde diretrizes baseadas em evidências científicas para auxiliar na tomada de decisões clínicas.
De acordo com o material, a indicação de medicamentos ocorre, em geral, quando o paciente apresenta Índice de Massa Corporal (IMC) maior ou igual a 30 kg/m². O tratamento também pode ser considerado para pessoas com IMC igual ou superior a 27 kg/m² quando há complicações associadas ao excesso de gordura corporal. O cálculo do IMC pode ser feito no site da própria associação.
Em situações específicas, a diretriz ainda prevê a possibilidade de avaliar o tratamento mesmo sem considerar apenas o IMC, principalmente quando há aumento da circunferência abdominal ou da relação cintura-altura acompanhado de problemas de saúde relacionados.
Segundo o presidente da Abeso, Fábio Trujilho, o avanço das opções terapêuticas exige cada vez mais uma avaliação individualizada dos pacientes. Conforme ele, a nova diretriz transforma os avanços científicos em orientações práticas, oferecendo mais segurança para os profissionais de saúde no cuidado com os pacientes.
O documento foi elaborado por um grupo multidisciplinar composto por endocrinologistas, clínicos gerais e nutricionistas. As recomendações foram organizadas por classes de indicação e níveis de evidência científica.
Entre os temas abordados estão situações clínicas como risco cardiovascular, pré-diabetes, doença hepática gordurosa, osteoartrite, câncer, deficiência de testosterona masculina, apneia do sono e perda de massa muscular. A intenção é aproximar as recomendações científicas das situações enfrentadas no dia a dia dos consultórios.
A diretriz também reforça alertas sobre o uso inadequado de substâncias sem comprovação científica de eficácia e segurança. Entre elas estão fórmulas manipuladas ou produtos que incluem diuréticos, hormônios da tireoide, esteroides anabolizantes, implantes hormonais ou gonadotrofina coriônica humana (hCG), que não são recomendados para o tratamento da obesidade.
Informações Bruno Bocchini Repórter Agência Brasil

