Os canhões antigranizo instalados em Chapecó voltaram a chamar a atenção da população durante as recentes tempestades que atingiram o Oeste de Santa Catarina. Além do forte barulho emitido pelos equipamentos, muitas dúvidas surgem sobre o funcionamento da tecnologia e sua eficiência na redução dos danos provocados pelo granizo.
De acordo com a Defesa Civil Regional, os equipamentos atuam diretamente no processo de formação das pedras de granizo. Na parte inferior de cada canhão existe uma câmara onde ocorre uma explosão controlada, responsável por gerar ondas sonoras que se propagam até a atmosfera.
Essas ondas provocam um fenômeno chamado cavitação, interrompendo o crescimento das pedras de gelo no interior das nuvens. Com isso, caso ocorra precipitação de granizo, a tendência é que as pedras sejam menores, reduzindo os prejuízos causados à população.
A Defesa Civil reforça que o sistema não lança qualquer produto químico na atmosfera. Todo o funcionamento ocorre apenas por meio da propagação de ondas sonoras.
Equipamento não afasta a chuva
Segundo a Defesa Civil, os canhões não desviam as nuvens nem impedem a ocorrência de chuva. O objetivo é atuar dentro da nuvem para dificultar a formação de pedras maiores de granizo, reduzindo os impactos das tempestades.
Acionamento ocorre antes da tempestade
Os equipamentos entram em funcionamento sempre que o monitoramento meteorológico identifica, por meio de satélites, nuvens com potencial para formação de granizo.
O acionamento ocorre poucos minutos antes da chegada da tempestade e permanece durante toda a passagem da célula sobre a área protegida.
Área de cobertura
Atualmente, Chapecó conta com três canhões antigranizo. Dois estão instalados na região da Efapi para proteger parte da área urbana, enquanto o terceiro atende exclusivamente o distrito de Marechal Bormann.
Cada equipamento possui um raio de proteção aproximado de 500 metros, formando uma área de cerca de um quilômetro de diâmetro. Conforme a Defesa Civil, dentro desse perímetro a eficiência do sistema supera 90%.
Além da área principal de atuação, ainda existe uma proteção parcial em regiões próximas, embora o alcance possa variar conforme a intensidade da tempestade.
Tecnologia inédita em área urbana
Segundo a Defesa Civil, Chapecó é o primeiro município do mundo a utilizar esse tipo de tecnologia exclusivamente para proteção de áreas urbanas.
Os canhões antigranizo foram desenvolvidos inicialmente para uso agrícola, principalmente em lavouras de frutas e vinhedos de países europeus, como França, Itália e Áustria. Posteriormente, passaram a ser utilizados também para proteger áreas industriais e centros logísticos.
Em Chapecó, o sistema foi adaptado para reduzir os prejuízos provocados pelo granizo em bairros residenciais, ampliando o uso da tecnologia para a proteção da população.
Orientação à população
A Defesa Civil orienta que, ao ouvir os disparos dos canhões, a população compreenda que o equipamento está em operação para minimizar os danos causados pelas tempestades de granizo.
Em situações de emergência, a recomendação é acionar o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193 ou a Defesa Civil pelo 199.

