O Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina voltou a se destacar em nível nacional ao confirmar que possui os cães de busca e resgate mais preparados do Brasil para atuar em cenários extremos. O reconhecimento veio por meio do ranking do Comitê de Busca, Resgate e Salvamento com Cães (CONABRESC) da Liga Nacional dos Corpos de Bombeiros Militares do Brasil, que apontou Santa Catarina como a corporação com o maior número de certificações do país.
Em situações onde cada minuto é decisivo — como desabamentos, deslizamentos ou desaparecimentos em áreas de mata — a precisão do resgate catarinense vai além de equipamentos e tecnologia. Ela está no faro altamente treinado de cães como Moana, Bono, Nick e Luna, que hoje figuram entre os mais qualificados do território nacional.
Atualmente, os quatro cães com maior número de certificações do Brasil pertencem ao CBMSC. Moana lidera o ranking nacional ao atingir o Nível 11, a mais alta graduação existente, com atuação em quatro modalidades diferentes. Em seguida aparecem Bono (Nível 10), Nick (Nível 8) e Luna (Nível 7). Ao todo, Santa Catarina conta com 10 cães operacionais, que somam 54 certificações nacionais, resultado de um treinamento rigoroso e da forte sintonia entre cão e condutor, o chamado binômio.
Especialização para cenários extremos
O grande diferencial dos cães catarinenses está na versatilidade de atuação. O treinamento é dividido em dois eixos principais, voltados às ocorrências mais comuns no Sul do país:
- Urbano, focado em escombros, colapsos estruturais e soterramentos, frequentes em períodos de chuvas intensas;
- Rural, direcionado à busca por pessoas desaparecidas em áreas de mata fechada.
Dentro desses cenários, os cães são preparados para duas frentes essenciais: a localização de vítimas vivas, por meio do venteio (faro aéreo), e a busca por restos mortais (RM), fundamental para dar resposta e encerramento às famílias em grandes tragédias.
Segundo o major Alan Delei Cielusinsky, presidente da Coordenadoria de Busca, Resgate e Salvamento com Cães de Santa Catarina, o ranking funciona como um verdadeiro termômetro de excelência. Ele explica que, no estado, existe uma regra clara: os cães só atuam em ocorrências reais após estarem devidamente certificados.
“O ranking é uma forma de quantificar desempenho e estimular a busca pela especialização máxima. Em Santa Catarina, não abrimos mão da certificação. Esse rigor é o que nos diferencia e garante segurança e eficiência nas operações”, destacou o major.
Ele lembra ainda que, no Sul do país, situações como deslizamentos são recorrentes, exigindo alto nível de preparo. “O cão é uma ferramenta de extrema precisão, seja para localizar vítimas com vida ou atuar em buscas por restos mortais, tanto em áreas urbanas quanto em mata densa”, completou.
Tecnologia viva a serviço da vida
Santa Catarina também se destaca por especialidades raras no país, como o cão Fogo, de Blumenau, único treinado para rastreio por odor específico — técnica que ignora distrações e segue um rastro único com alto grau de precisão.
Com um currículo que reúne 54 certificações nacionais, o CBMSC consolida o binômio homem-cão como uma verdadeira tecnologia viva, capaz de transformar cenários de tragédia em esperança. Para o major Alan, o reconhecimento nacional é apenas consequência de um trabalho contínuo e silencioso.
“Esse resultado reflete nosso compromisso com a sociedade. Trabalhamos para que, no momento da crise, o cidadão catarinense tenha a certeza de que o melhor que existe no Brasil em busca e resgate está disponível e pronto para agir onde ninguém mais consegue chegar”, concluiu.

