Os primeiros pedágios eletrônicos nas rodovias federais do Oeste de Santa Catarina devem entrar em operação entre maio e junho de 2027. A previsão faz parte do cronograma do Ministério dos Transportes para a concessão dos lotes 1 e 3 das Rodovias Integradas de Santa Catarina, que abrangem trechos das BRs-153, 282, 470 e 480.
Antes do início da cobrança, o governo federal pretende realizar o leilão da concessão em novembro deste ano. A empresa vencedora ficará responsável pela administração das rodovias e terá cerca de quatro meses para iniciar a operação antes da implantação das tarifas.
Cobrança será pelo sistema free flow
O modelo adotado será o free flow (livre passagem), que elimina as tradicionais praças de pedágio. A cobrança será feita por meio de pórticos eletrônicos instalados ao longo das rodovias, permitindo que o motorista pague apenas pelo trecho efetivamente percorrido.
Os veículos equipados com tag eletrônica terão a passagem registrada automaticamente e contarão com tarifa diferenciada. Já aqueles sem o dispositivo serão identificados pela leitura automática da placa (OCR), com pagamento posterior pelos canais disponibilizados pela concessionária.
Apesar do cronograma divulgado, o projeto ainda está em fase de audiência pública e poderá sofrer alterações antes da publicação do edital definitivo.
Concessão abrange mais de 680 quilômetros
Os lotes 1 e 3 somam aproximadamente 683 quilômetros de rodovias federais em Santa Catarina.
O lote 1 contempla 516,6 quilômetros das BRs-153, 282 e 470, ligando a divisa com o Rio Grande do Sul até Navegantes.
Já o lote 3 reúne 166 quilômetros e concentra os investimentos no Oeste catarinense, abrangendo trechos da BR-153 entre a divisa com o Paraná e o entroncamento com a BR-282, da BR-282 entre Irani e Chapecó, além da BR-480 até a Avenida Leopoldo Sander, em Chapecó.
O Ministério dos Transportes também desenvolve o projeto do lote 2, que compreende 170,5 quilômetros da BR-280, entre Mafra e São Francisco do Sul.
Primeiro ano terá desconto
Segundo o Ministério dos Transportes, durante o primeiro ano da concessão os usuários pagarão apenas 50% da tarifa contratada.
O desconto corresponde ao período em que serão executadas as primeiras melhorias na infraestrutura e concluída a implantação do sistema eletrônico. Após esse prazo, a cobrança será integral, conforme previsto no contrato.
Onde ficarão os pórticos no Oeste
Ao todo, o projeto prevê 18 pórticos de cobrança entre os lotes 1 e 3. No Oeste catarinense, os equipamentos deverão ser instalados nos municípios de:
- Concórdia;
- Joaçaba;
- Erval Velho;
- Campos Novos;
- Água Doce;
- Irani;
- Xaxim;
- Faxinal dos Guedes.
Segundo o governo federal, a definição dos locais foi baseada em estudos de tráfego, fluxo de veículos e mobilidade regional.
O modelo busca eliminar distorções do sistema tradicional, fazendo com que cada motorista pague apenas pela distância efetivamente utilizada, sem cobrança de uma tarifa única para todos os usuários.
Obras e investimentos
Além da implantação do sistema eletrônico, a concessão prevê uma série de melhorias na infraestrutura das rodovias, entre elas:
- mais de 80 quilômetros de duplicações;
- construção de vias marginais;
- implantação de faixas adicionais;
- melhorias em acessos;
- reforço da sinalização;
- conservação permanente das rodovias;
- ampliação da capacidade de tráfego.
Os investimentos serão concentrados principalmente nas BRs-282, 153 e 480, corredores estratégicos para o transporte da produção agroindustrial do Oeste catarinense.
Investimentos chegam a R$ 19,3 bilhões
Somando os dois lotes, o programa de concessão prevê aproximadamente R$ 19,3 bilhões em investimentos e custos operacionais durante o período contratual.
A expectativa do governo federal é de que as obras gerem cerca de 190 mil empregos diretos, indiretos e induzidos, além de reduzir o tempo de deslocamento, aumentar a segurança viária e fortalecer a logística da região.
Projeto ainda será analisado
Embora o leilão esteja previsto para novembro, o projeto ainda não é definitivo. As propostas seguem em audiência pública e passarão por análise do Ministério dos Transportes e do Tribunal de Contas da União (TCU).
Somente após a conclusão dessas etapas será publicado o edital definitivo da concessão. Até lá, aspectos como localização dos pórticos, regras operacionais e detalhes técnicos ainda poderão ser alterados.









