A Quaresma é um dos tempos mais importantes do calendário litúrgico da Igreja Católica. Durante 40 dias, os fiéis são chamados à conversão por meio da oração, do jejum e da caridade.
Mas uma dúvida comum surge todos os anos: existe penitência que não deve ser feita?
A resposta é sim. Embora a Igreja incentive o sacrifício como forma de crescimento espiritual, ela também orienta que certas práticas podem ser inadequadas, ou até espiritualmente prejudiciais.
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Penitências que prejudicam a saúde
A Igreja não apoia sacrifícios que coloquem em risco a integridade física ou mental.
- O jejum quaresmal, por exemplo, é regulamentado pelo Código de Direito Canônico, que determina:
- Obrigatoriedade apenas na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa;
- Com exceções para doentes, idosos, gestantes e trabalhadores em condição extenuante.
Ou seja, práticas extremas, dietas radicais ou privações que causem dano não correspondem ao espírito cristão. O Catecismo da Igreja Católica ensina que a penitência deve levar à conversão interior, não à autopunição.
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Penitências motivadas por vaidade ou exibicionismo
Jesus adverte no Evangelho: “Quando jejuardes, não fiqueis com o rosto triste como os hipócritas” (Mt 6,16).
- Penitências feitas para serem vistas ou admiradas contradizem o espírito quaresmal. Segundo o Catecismo da Igreja Católica, a verdadeira conversão é interior, e não teatral.
Se a motivação for ego, orgulho ou comparação com outros fiéis, a prática perde o sentido espiritual.
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Sacrifícios que geram irritação e afastam da caridade
Uma penitência que torna a pessoa agressiva, impaciente ou distante da família não cumpre seu propósito. A Quaresma não é tempo de mau humor espiritual.
- Se “abrir mão do café” faz alguém tratar mal os colegas de trabalho, talvez seja melhor escolher outro tipo de sacrifício.
A tradição cristã ensina que a caridade está acima das práticas externas.
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Penitências que substituem a conversão real
- Abrir mão de chocolate, redes sociais ou refrigerante pode ser válido. Mas se isso não vier acompanhado de oração e mudança de vida, torna-se apenas uma dieta temporária.
O Papa Francisco já recordou em diversas homilias quaresmais que a penitência sem caridade é vazia.
A Igreja reforça que:
- Jejum sem oração vira formalismo;
- Sacrifício sem caridade vira orgulho;
- Renúncia sem conversão vira hábito temporário.
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Práticas supersticiosas ou sem fundamento cristão
A Igreja também orienta evitar práticas:
- De origem esotérica;
- Que misturem crenças não cristãs;
- Que transformem a penitência em “troca” com Deus.
A Quaresma não é barganha espiritual. Não se trata de “sofrer para conseguir algo”.
O que a Igreja recomenda, então?
Antes de escolher um sacrifício, vale perguntar:
- Isso me aproxima de Deus?
- Isso me torna mais caridoso?
- Isso respeita meus limites físicos e emocionais?
Se a resposta for sim, a prática provavelmente está alinhada com o que a Igreja ensina.
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