Produtores de leite da região de Xanxerê, no Oeste catarinense, realizaram um protesto na manhã desta quinta-feira (04) para chamar atenção para a grave crise que atinge o setor em Santa Catarina. O grupo se reuniu no trevo da FEMI, em Xanxerê, onde manifestou insatisfação com a política comercial brasileira e com a crescente importação de leite de países vizinhos.
Segundo os produtores, o aumento das compras de leite, principalmente da Argentina e do Uruguai, provoca concorrência desleal e compromete a sobrevivência econômica de centenas de famílias que dependem da bovinocultura leiteira. Eles afirmam que o impacto financeiro vem se agravando mês após mês.
“O juro para o setor está muito alto. Não tem viabilidade de pagamento, então ninguém mais investe”, destacou Eleandro Arsego, um dos organizadores do movimento.
Os manifestantes também compararam a situação brasileira com a de países europeus, onde a atividade recebe subsídios e incentivos para garantir a permanência das famílias no campo — medidas que, segundo eles, deveriam servir de referência para o Brasil.
No curto prazo, os produtores pedem ações emergenciais, como a taxação do leite importado, sobretudo o leite em pó vindo do Mercosul, além de intervenção na política cambial para frear os prejuízos.
O protesto contou com a presença de representantes da bancada catarinense na Alesc e na Câmara Federal. Para o deputado estadual Altair Silva, a pressão sobre o governo federal é fundamental para reverter o cenário. “Já está comprovada a prática de dumping, principalmente pela Argentina, vendendo leite aqui abaixo do preço praticado lá. Isso é proibido pelo comércio internacional”, afirmou.
Segundo o parlamentar, também é necessário que o governo federal agilize medidas como renegociação de dívidas e aquisição de produtos para equilibrar oferta e demanda.
A deputada federal Caroline de Toni também criticou a demora em barrar as importações e alertou que o impasse pode gerar um problema social ainda maior, caso não haja uma resposta rápida.
A avaliação dos parlamentares reflete o sentimento dos produtores: sem mudanças urgentes, muitas famílias podem ser obrigadas a deixar a atividade leiteira, agravando ainda mais a crise no campo.

