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Audiência pública discute plantio em áreas de preservação ambiental e uso de transgênicos na Terra Indígena Xapecó

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13/08/2019 – TERÇA-FEIRA

 

Na tarde de ontem (12), foi realizada na Câmara de Vereadores de Chapecó, uma audiência pública para discutir a execução de uma lei federal, que proíbe o plantio em Áreas de Preservação Ambiental (APP) e o uso de sementes transgênicas em terras da União, ou seja, na Terra Indígena Xapecó. O encontro reuniu Ibama, Polícia Militar Ambiental, lideranças indígenas, procuradoria da República, além de vereadores e demais membros da comunidade de Ipuaçu.

 

O objetivo da audiência foi apresentar a comunidade as fases da Operação Quimera, executada pelo Ibama em todo o país. A ação visa cumprir três fases: a primeira dela é fazer testas nas terras indígenas e verificar a presença de transgênicos ou de plantio ilegal nas APP’s (que já ocorreu na terra indígena Xapecó); a segunda fase é realizar a audiência pública e debater o assunto com a comunidade; e a terceira fase é uma operação de campo, que consiste em retornar ao local e verificar se a lei está sendo cumprida, o que deve acontecer a partir de setembro.

 

Os debates foram bastante intensos, principalmente devido a delicadeza do tema. Já faz mais de um ano que os indígenas assumiram a responsabilidade pelas terras e estão fazendo o plantio. Segundo o cacique Gentil Belino, muitas famílias inclusive fizeram financiamentos para adquirir maquinários e utilizar na safra. O uso de transgênicos também está sendo uma constante na aldeia, principalmente pela dificuldade em encontrar semente convencional e depois comercializá-la no mercado. Além disso, algumas áreas de preservação também estão sendo utilizadas para a lavoura, já que não existe uma demarcação dos locais, segundo os indígenas.

 

Esses fatos foram apresentados ontem a tarde e, por isso, uma nova reunião foi marcada para o dia 26 de agosto, a fim de esclarecer estas e outras questões. A princípio, ficou definido que não serão permitidos em hipótese alguma o plantio nas áreas de preservação, já na próxima safra. Quanto ao uso de transgênicos, a proposta é que seja feito um período de transição, para que as famílias possam se adaptar sem serem prejudicadas.

 

Vale destacar que a terra indígena Xapecó possui mais de 16 mil hectares, distribuídos entre os municípios de Ipuaçu, Entre Rios e Abelardo Luz. Somente em Ipuaçu, segundo o cacique Gentil Belino, são aproximadamente mil famílias.

 

Por Keli Camiloti

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